GAIA Digital

Justiça Cognitiva & Diversidade Epistêmica

Pluralizar vozes, reconhecer saberes locais e partilhar autoria — do dado ao discurso

Ilustração de pessoas de diferentes contextos colaborando em torno de acervo cultural

O que chamamos de justiça cognitiva

Justiça cognitiva é reconhecer que existem muitos modos legítimos de produzir conhecimento — acadêmico, comunitário, indígena, popular, artístico — e que projetos digitais devem acolher essa pluralidade em nomes, descrições, classificações e narrativas.

Na prática, isso significa evitar apagamentos, abrir espaço para camadas de contexto, permitir nomes alternativos, registrar creditação coletiva e oferecer canais de contestação e correção sobre o que publicamos.

Por que importa

  • Evita epistemicídio (apagamento de saberes) e corrige assimetrias históricas.
  • Fortalece pertencimento e uso social dos acervos.
  • Melhora qualidade curatorial com múltiplas leituras e sentidos.

O que muda na prática

  • Nomes e títulos alternativos (línguas locais, variantes históricas).
  • Notas curatoriais visíveis e multi-autorais.
  • Créditos coletivos e registro de contribuições.

O que evitar

  • Descrição única como “verdade” — ofereça camadas e versões.
  • Traduções que apagam termos próprios — preserve endônimos.
  • Publicar sem consulta em materiais sensíveis — mediação antes.

Práticas de pluralidade (faça hoje)

  1. Campo “Nome alternativo”: registre títulos locais, históricos e em outras línguas.

  2. Nota curatorial: explique escolhas de classificação e referências usadas.

  3. Créditos de coautoria: destaque aportes comunitários e revisões especializadas.

  4. Canal de contestação: formulário simples para pedir correções/remoções e novas leituras.

  5. Leitura fácil & multilinguagem: linguagem clara e versões em mais de um idioma quando fizer sentido.

Regra prática: se um termo/narrativa for crucial para um grupo, ele deve aparecer visível na ficha e na exposição digital.

Diretrizes editoriais e de metadados

  • Vocabulário controlado + campo livre: consistência sem sufocar termos próprios.
  • Proveniência e contexto: fontes, datas, coleções e caminhos do objeto/documento.
  • Notas de sensibilidade: alertas quando houver risco de uso indevido/estigma.
  • Licenças claras: preferir CC quando possível; sempre explicitar créditos e restrições.

Indicadores simples (acompanhe sem burocracia)

  • % de itens com nomes alternativos (línguas locais/variantes históricas).
  • % de registros com nota curatorial e referências.
  • Nº de contribuições comunitárias registradas por mês e sua diversidade.
  • Tempo de resposta a solicitações de correção/remoção com desfecho documentado.

Glossário rápido

Justiça cognitiva
Reconhecimento de múltiplos sistemas de conhecimento como igualmente válidos.
Diversidade epistêmica
Convivência de diferentes formas de saber, métodos e linguagens.
Coautoria
Compartilhamento de autoria com comunidades e colaboradores.
Endônimo
Nome usado por um grupo para se referir a si mesmo ou ao seu patrimônio.