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Tipos de digitalização — escolhendo o método certo

Comparativo prático por suporte, com requisitos mínimos, indicações de uso e pontos de atenção.

Ilustração de diferentes métodos de digitalização

Cada suporte demanda um método de captura adequado ao objetivo (preservação, acesso, pesquisa) e às restrições (tempo, orçamento, riscos e direitos). Abaixo, apresentamos os principais tipos de digitalização por suporte, com recomendações de uso, prós/limitações e parâmetros mínimos para garantir qualidade, integridade e reuso.

Scanner de mesa (flatbed)

  • Quando usar: documentos soltos, fotos, gravuras estáveis.
  • Prós: padronização, boa nitidez, operação simples.
  • Limitações: risco a volumes encadernados; área limitada.
  • Mínimo: 300–600 ppi; 8–16 bits; perfil/registro de cor.

Estação de reprodução (câmera)

  • Quando usar: livros/álbuns, obras grandes, itens frágeis.
  • Prós: menor manuseio, alta velocidade, modular.
  • Limitações: exige controle de iluminação e calibração.
  • Mínimo: alvo de cor/escala, luz uniforme, 300–600 ppi equivalentes.

Scanner planetário (overhead)

  • Quando usar: volumes encadernados, materiais raros.
  • Prós: berço em V, menor estresse mecânico.
  • Limitações: custo elevado; ajuste fino necessário.
  • Mínimo: 300–600 ppi, correção de distorção e alinhamento de páginas.

Fitas magnéticas (cassete/reel-to-reel)

  • Quando usar: acervos históricos em fita analógica.
  • Prós: captura fiel quando bem calibrada.
  • Limitações: azimute/limpeza; desgaste físico; wow/flutter.
  • Mínimo: 24-bit/96 kHz (mín. 24/48), matriz WAV/BWF, logs técnicos.

Discos (vinil/acetato/lacas)

  • Quando usar: coleções de discos com valor histórico.
  • Prós: boa captura com pré-amplificação e equalização corretas.
  • Limitações: ruído de superfície; necessidade de agulha adequada.
  • Mínimo: 24-bit/96 kHz, WAV/BWF, registro de EQ (RIAA/variações).

Nascidos digitais / captura de campo

  • Quando usar: entrevistas, registros de campo, eventos.
  • Prós: agilidade e metadados embutidos.
  • Limitações: ruído ambiente; necessidade de ficha de consentimento.
  • Mínimo: 24-bit/48 kHz, WAV/BWF; termos de direitos/consentimento.

Fitas de vídeo (VHS/Hi8/Betacam)

  • Quando usar: acervo doméstico/institucional em fita.
  • Prós: recuperação de conteúdo ameaçado pela obsolescência.
  • Limitações: entrelaçamento, dropouts; decks específicos.
  • Mínimo: matriz Matroska/QuickTime com FFV1/ProRes; áudio PCM; registro de AR/entrelaço/cor.

Filme (8 mm/16 mm/35 mm) — telecine/scan

  • Quando usar: materiais cinematográficos/arquivísticos.
  • Prós: alta latitude de exposição; excelente preservação.
  • Limitações: custo elevado; necessidade de limpeza/estabilização.
  • Mínimo: scan ≥2K; matriz lossless/intra-frame; LUTs e notas de cor.

Nascidos digitais (câmeras/telefones)

  • Quando usar: documentação de campo, oficinas, depoimentos.
  • Prós: rapidez; metadados; integração a workflows.
  • Limitações: compressão elevada; controles limitados.
  • Mínimo: guardar originais; registrar codec/bitrate/entrelaço; derivados MP4 (H.264/H.265) conforme política.

Fotogrametria (multi-imagem)

  • Quando usar: objetos/operações com boa textura e acesso 360°.
  • Prós: custo acessível; alta resolução de textura.
  • Limitações: superfícies brilhantes/transparentes; sombras.
  • Mínimo: escala/pontos de controle; relatório de precisão; matriz OBJ/PLY/GLTF com textura.

Laser/LiDAR (varredura)

  • Quando usar: arquitetura, ambientes, grandes esculturas.
  • Prós: precisão geométrica; alcance e velocidade.
  • Limitações: custo; texturas/materiais exigem integração de fotos.
  • Mínimo: registrar precisão/erro; escala; malha + textura; GLTF/OBJ/PLY.

Híbridos (foto + laser/LiDAR)

  • Quando usar: bens complexos que exigem cor e precisão.
  • Prós: equilíbrio entre textura e métrica.
  • Limitações: pipeline mais complexo; calibração cruzada.
  • Mínimo: documentação do alinhamento; relatório de incerteza; GLB/GLTF para acesso.

Comparativo rápido — escolha por objetivo

Suporte Método Uso ideal Mínimos Observações
2D Flatbed / Reprodução / Planetário Acesso + preservação 300–600 ppi; 8–16 bits; TIFF Alvo de cor; escala; luz uniforme
Áudio Captura de fita/disco / campo Preservação + pesquisa 24-bit/96 kHz; WAV/BWF Logs de limpeza/azimute/EQ
Vídeo Fita (deck) / Filme (scan) / Nascidos digitais Acesso + preservação FFV1/ProRes; PCM Registrar AR, entrelaço, cor
3D Fotogrametria / Laser/LiDAR / Híbrido Pesquisa + educação OBJ/PLY/GLTF; escala/precisão Relatório de erro/decimação

Ajuste parâmetros ao risco, ao valor cultural e ao uso previsto. Mantenha consistência e documentação.

Fluxo recomendado

  1. Planejar: definir método por suporte, convenções de nomes e metadados mínimos.
  2. Capturar: seguir critérios por suporte, registrar setup e exceções.
  3. Ingerir: gerar checksums, validar metadados, criar derivados de acesso.
  4. Publicar: acessibilidade (WCAG), licenças e contexto curatorial.
  5. Preservar: 3–2–1, verificação periódica e migração planejada.

Direitos, ética & acesso

  • Avaliar status de direitos, privacidade e sensibilidade cultural.
  • Aplicar camadas de acesso quando necessário (restrito, mediado, público).
  • Publicar licenças claras e atribuições nos derivados.

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